Todo relacionamento é como a construção de uma casa.
Você reúne todos os seus recursos com mais alguns adendos e vai construindo, construindo... repara, incrementa, justifica, unifica... até que de repente, sua obra recebe as primeiras chuvas e você tenta cobrir as goteiras... rebocar as rachaduras, lixar o grosso das paredes para depois colorir mil e uma vezes, a depender dos seus humores; e quanto mais o tempo passa mais a casa se torna ornamentada... e assim como qualquer edificação feita ao longo da vida, a grandeza desta obra será compatível com o tempo concebido à ela.
No entanto, o valimento previsto inicialmente para o declínio do seu prédio começa a soar o alarme antecipadamente ao que já estivera em seus planos: já não há argamassa o suficiente para manter os azulejos no lugar, os reboques já não detém as tão anteriormente insignificantes goteiras... agora já tão incomodas, aquele lapis lazuli que parecera tão quente e atrativo na parede do quarto ao pôr do sol d'outros verões, começa a descascar... até que um dia você percebe que nem o arquiteto mais consagrado dentre 7 bilhões de pessoas poderá salvar seu edifício, e que simplesmente terá de deixar tudo aquilo que você construiu... sente-se que não é tão simples, mas aliviadamente concebível.
E então, a depender da forma como você deixa os castiçais e as velas, a casa se resguardará com suas lembranças doces e arranhões no piso; com o passar do tempo, tudo se resolveu pelo modo como escolheu findar sua construção, de quantas colunas você a descompôs, de quais empatias você a compôs... simplesmente para o caso de "em algum lugar no tempo" querer retorna-lá.
* Especialmente para Isabel, que escutou minha analogia antes de virar post.

Muito Bom Manu.... Vc como sempre arrasa em teorias e opiniões :-D
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