10 de mai. de 2013

Trem vai. Trem vem. Trem tem.


        De que mais é composta a vida se não de estações? Que outro transporte serviria melhor para o curso desta trajetória, se não um Trem?  Talvez algo muito simplório sobre o qual escrever, mas me vejo em uma circunstância necessária para faze-lo.
        A minha vida é uma estação. O meu eu, um de muito dentre outros vagões. Posso escolher as pessoas que tem acesso as minhas dependências, mas não posso impedi-las de conhecer outros compartimentos. Talvez voltem, provavelmente não.


       Talvez a ideia de independência esteja até mais batida que o Juicer Walita, no entanto, não são poucos os sinais comportamentais que observo diariamente em seres que estão humanamente inconformados com a distância existente entre a palavra liberdade e a forma como esta age. O inconformismo quanto ao fato de que o vagão vizinho pode, ou é, mais confortável que o seu muitas vezes se manifesta de forma inconsciente, mas no âmago desperta um sabor quase amargo; sente-se até a bilis tocar a ponta dos lábios quando, do fundo do seu cómodo percebe "seus" passageiros mudando de espaço.
        Não existe receita cheff de compreensão sugerindo um modo ameno de lhe dar com os ciclos aos quais somos remetidos ao longo da viagem, quem dirá a sua demanda de recusas. Estamos num trem, e você é uma estação inevitável.
             Quiçá felizmente, grande parte de nossa estrutura não é tão moderna. Simplesmente não podemos travar o acesso a outros aposentos pois, mais que restringir seus viandantes e gerar ocasiões internas de grande atrito, é também limitar seus trilhos ao itinerário. Se deixa-se enferrujar pela perca de passageiros que muito lhe preenchiam o vagão, mas que decidiram não ficar, não balança-se apenas seus parafusos mas também todo centro rodoviário ligado a você.


             Estar em um trem, não o acusa de não pensar antes de fincar seu vagão em determinados trilhos, assim como não sugere que obrigue a permanência de outros passageiros no seu compartimento. Nada é determinante, e ao longo desta viajem há sempre alguém disposto a nos fazer companhia - transmitindo um sometimes ou um forever, têm o direito de trocar de estação, trilho, vagão... sempre que desejar.




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